08/07/2026 - Bombeiro e PMs contam detalhes que chamaram atenção na morte de Gisele, esposa de tenente-coronel preso
A Justiça encerrou nesta quarta-feira (8) a fase de coleta de provas e depoimentos no processo contra o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, em fevereiro deste ano.
O SP2 teve acesso aos vídeos com os depoimentos das testemunhas de acusação. Bombeiro e policiais militares relataram detalhes que chamaram atenção durante a investigação.
Uma das testemunhas foi a sargento Damiana Alves da Silva, que trabalhava ao lado de Gisele e ouvia os desabafos da amiga sobre a violência do marido. Durante o depoimento, ela foi questionada se Gisele havia dito que acreditava que o marido teria coragem de matá-la.
"Nós estávamos na copa e ela perguntou pra mim se eu acreditava que ele teria coragem de matá-la e eu disse que eu acreditava!", afirmou a sargento.
Damiana também falou sobre o comportamento de Geraldo Rosa Neto. "Falei, Gi, antes dele ser major ele é um ser humano, ele é dotado de uma mente. Então, eu acredito sim, até pelos comportamentos que ele tinha."
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Gisele foi morta em fevereiro deste ano. As investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar concluíram que ela foi assassinada pelo próprio marido, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto.
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o caso devia ser julgado pela Justiça comum, por entender que o crime investigado não tem natureza militar. O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
Montagem/g1
Uma das peças-chave da investigação foi uma foto tirada pelo sargento do Corpo de Bombeiros Rodrigo Almeida Rodrigues. Ele foi um dos primeiros a entrar no apartamento, no Brás, depois do disparo.
No depoimento, Rodrigo falou sobre a posição da arma encontrada na mão de Gisele.
"Arma [estava] posicionada na mão dela. Pelo fato de eu ver uma arma, tipo, a pessoa tomou, deu um tiro na cabeça e a arma cair naquela posição, isso ficou muito curioso pra mim, eu nunca tinha visto aquilo, sempre num disparo a arma tem um impacto, tem uma força que joga ela pra fora e o jeito de cair também. Com base no que eu já vi, ela não cairia reta".
No dia do crime, Geraldo Neto ligou para um desembargador, que foi até o prédio. O capitão Rafael Aguiar comandava a primeira equipe que atendeu a ocorrência. Depois, foi junto com o tenente-coronel até o Hospital das Clínicas, onde Gisele foi socorrida, e disse ter estranhado o comportamento dele.
"Ele foi pra lá com o intuito de ver a situação da esposa e em nenhum momento ele desembarcou do carro e tentou ver qual a situação, se ela chegou lá com vida ou não, e a gente estranhou também essa atitude. Ficou ali uma hora, uma hora e meia e ele saiu de lá também sem saber se ela tinha falecido".
A TV Globo tentou contato com a defesa do policial, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
Julgamento
Na fase de instrução, são produzidas as provas que servirão de base para a decisão da Justiça. Primeiro são ouvidas as testemunhas de acusação e, em seguida, as de defesa.
Até o momento, 30 pessoas foram ouvidas, entre elas a filha de Gisele, uma menina de 7 anos, que contou que já presenciou muitas brigas entre a mãe e o padrasto. Já o depoimento de Geraldo Neto está marcado para o dia 28 de agosto.
Ao fim da instrução, o juiz decidirá se Geraldo Leite Rosa Neto será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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